Referencia-se através de leituras em obras que retratam a relação humana com a inospitalidade do mundo (natural e social) e do entranhamento complexo que há entre tempo e memória.
MOÇA MÁ
MOÇA MÁ
Sonhos adormecidos
Nas veias do fino pescoço
Nos grandes olhos negros
Nos pés valseados
Nos pêssegos seios
Na cintura curvada
Do colo que dá ao filho
Ela é um pássaro morno
Para as manhãs de abril
Pousado de paciência
Força e silêncio
FRUTAS
Houve pai e mãe e a criança.
Passeio de irmãs e mãos dadas.
Deus cuidando por semelhança
das frutas por elas capturadas.
Para a cama, as claras cores.
A pelúcia para o travesseiro.
Para a pouca solidão, amores.
À noite, o sonho passageiro.
Feliz Natal
Dez anos passaram.
Há estrelas, mas é impossível
saber se vivem.
São essa perfeição pela distância.
A ilusão de vê-las
diz delas o suficiente.
Sonhei com você.
Aqui não há chuvas e ventou
forte ontem na maturidade da noite.
A saudade aguda e a vastidão do
firmamento conduziram ao sono.
Viva em mim, mas impreciso vê-la.
Amo você.
A SOMBRA
Aquele vento nos pinheiros sombrios antigamente
Agora insiste nestas árvores próximas às janelas
O idêntico medo pavor sendo banhado friamente
As pálpebras desejando manhã ensolarada nelas
PLURAL
É verdade... a beleza da vida, a tal hermenêutica da psicanálise das aulas
Libélulas de variadas cores nos nós dos arames enfarpados de setembros
Meus pais distraindo-se com risos e brincadeiras como tivessem sete anos
Eu mesmo já envelheço desta alegria, confesso,mas nos primeiros passos.
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